Banda Panela faz live solidária neste domingo



50% da renda serão revertidos ao Lar São Judas Tadeu

A Banda Panela, uma das mais consagradas de Pindamonhangaba, entrou na onda de solidariedade dos músicos brasileiros que vem arrebatado o país, e vai realizar uma live solidária neste domingo (19), a partir das 16 horas.

A live será transmitida pelas mídias sociais da banda, através do YouTube, Facebook, e Instagram. Nessa ação, a proposta da banda é levar um pouco de leveza e diversão ao público, no momento tão difícil, que é a pandemia, além de proporcionar conforto a famílias socialmente vulneráveis.

A ação tem como apoiadores o Auto Posto Confiança (Pinda), TargetNet (Pinda), Jundu Praia Bar e Jundu Restaurante (Ubatuba), Santo Gole (Maresias) e o fotógrafo Rafael Yugi (Pinda).

Renda para o Lar São Judas Tadeu
Metade do valor arrecadado será revertida ao Lar São Judas Tadeu, entidade de Pindamonhangaba que atende crianças em situação de vulnerabilidade social.

“O Lar São Judas Tadeu atendia, antes do período de isolamento social, 120 crianças. Estas crianças agora estão em suas residências e precisando de mantimentos para suas alimentações diárias”, explicam os integrantes da banda.

Como assistir
A transmissão da live vai começar às 16 horas deste domingo, nos perfis da banda nas principais redes sociais.

As transmissões no YouTube e no Facebook podem ser espelhadas nas TVs, para que o público possa assistir na tela grande.

Canais de transmissão:

YouTube: https://www.youtube.com/user/dudupanela

Facebook: https://www.facebook.com/bandapanela

Instagram: https://instagram.com/bandapanela?igshid=1p08d6iamv9l

Pastoral da Criança: 33 anos salvando vidas

Por Deniele Simões


Mais de três décadas se passaram desde que a médica sanitarista e pediatra, Dra. Zilda Arns Neumann, deu início às primeiras ações da Pastoral da Criança, na cidade de Florestópolis (PR).
Dr. Nelson Arns é coordenador adjunto da Pastoral da Criança

O trabalho começou em uma paróquia daquele município e foi se expandindo ao longo dos anos. Hoje, a Pastoral está presente em todas as dioceses brasileiras e em outros 17 países da África, Ásia, América Latina e Caribe, sendo reconhecida como uma das mais importantes instituições mundiais voltadas ao desenvolvimento integral infantil.

Em visita a Curitiba, entrevistei o coordenador nacional adjunto e filho da fundadora, Dr. Nelson Arns Neumann. O médico avalia quem, nesses 33 anos de atuação, muitos fatores contribuíram para a mudança no panorama da saúde nas comunidades.

A criação do Sistema Único de Saúde (SUS), a melhoria da renda dos brasileiros e dos índices de saneamento básico no país, a mudança do foco na abordagem médica, com ênfase na prevenção e na imunização por meio de vacinas, são alguns dos fatores apontados pelo médico.

Somando-se a esses avanços, a atuação dos líderes da Pastoral em todo o Brasil foi provocando uma mudança de comportamento nas comunidades mais pobres. “Esse processo foi muito interessante e hoje a gente vê as famílias mais pobres sendo mais proativas e seguras no que se deve fazer”, aponta.

Se a desnutrição e a desidratação eram grandes desafios para a Pastoral na década de 1980, hoje a obesidade e a alimentação inadequada são questões preocupantes. Ambas podem trazer consequências sérias para os bebês. A campanha Mil Dias tem como foco esses novos desafios e vem sendo trabalhada junto às comunidades atendidas.

Voluntariado
Voluntárias Elisabete e Maria José, na sede da Pastoral
Hoje, a Pastoral da Criança acompanha mais de 1 milhão de crianças de zero a seis anos em todo o Brasil. Esse acompanhamento é feito por 182.911 voluntários.

Nelson Arns atribui o grande número de voluntários a vários fatores. Um deles é o fato de o trabalho ser voltado às crianças. O segundo é o impacto das ações promovidas, que acontecem a partir da formação e do trabalho direcionado. “Após a formação, sempre tem o desafio da realidade, na paróquia, na diocese, no estado, na coordenação nacional; com isso, a pessoa sabe que está fazendo o bem, que não está só e que trará resultados concretos para o resto da vida dessa criança”, acrescenta.

A professora aposentada Elisabete Piassetta, de Curitiba, sonhava em ser voluntária e, inspirada pelo exemplo deixado pela Dra. Zilda, entrou para a Pastoral, há três anos.

Elisabete mora perto da sede nacional da Pastoral e sempre teve curiosidade conhecer o trabalho realizado lá dentro. Um certo dia, resolveu entrar para conhecer e acabou se tornando voluntária.

Na comunidade onde morava não havia famílias em situação de vulnerabilidade social, então adotou uma comunidade. “Cresci e aprendi tanto depois que entrei como voluntária; ganhei um grupo, aprendi a ver como é o trabalho na comunidade, como as coisas acontecem, quais são os caminhos”, explica.

Para a aposentada, integrar a Pastoral é um trabalho de doação. “É apaixonante quando você vê aquelas pessoas mais simples se doando da forma como elas se doam. Deixando o sábado e o domingo para uma comunidade, em prol deles.”

A dona de casa Maria José Martins Fabiano é voluntária há 17 anos e hoje coordena o núcleo da grande metrópole de Curitiba, com 601 líderes que cuidam de cerca de 2.000 famílias.

“Tudo o que a gente faz procura fazer com amor e carinho, mas, quando a gente chega na comunidade e vai querer doar alguma coisa, na verdade, é a gente recebe”, diz.

A partir da presença dos líderes nas comunidades, as famílias acabam mudando a forma como vivem, a partir dos conhecimentos adquiridos, e passam a ajudar-se mutuamente. “Na parte da alimentação, pessoas que acompanhei, desde quando eu era líder, estão estudando nutrição por causa da Pastoral. Algumas dizem que aprenderam a comer por causa da Pastoral”, explica Maria José. 

Dra. Zilda Arns, idealizadora do trabalho
Trabalho reconhecido
Criada em 1983, a Pastoral da Criança é reconhecida como uma das mais importantes organizações
mundiais a trabalhar em programas voltados ao desenvolvimento integral das crianças. A coordenação nacional do organismo está instalada em Curitiba (PR)
Números
Principais programas:
– Acompanhamento de crianças de zero a seis anos.
– Acompanhamento de gestantes.
– Ações complementares envolvendo brinquedos, brincadeiras, alimentação, hortas caseiras, entre outras.
– Controle social de políticas públicas através da ação junto a Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente, nos âmbitos nacional, estadual e municipal.
Principais indicadores (1º trimestre de 2015):
– 1.092.970 crianças acompanhadas.
– 902.685 famílias cadastradas.
– 65.599 gestantes acompanhadas.
– 182.911 voluntários em nível comunitário, sendo 101.682 líderes.
– Presença em 33.558 comunidades, em 3.717 municípios brasileiros.
– Presença em 17 países, além do Brasil.
Fonte: Sistema de Informação da Pastoral da Criança

Presença internacional
Além do Brasil, a Pastoral da Criança está presente em outros 17 países, repetindo a experiência de sucesso em localidades onde a situação é semelhante à realidade brasileira de 33 anos atrás.

Mas, foi há quase seis anos, quando a Pastoral recebeu um prêmio internacional, que a experiência no exterior começou a tomar força. Com o dinheiro que chega do exterior, foi possível organizar a Pastoral em outros países.

Só que, para que isso se tornasse possível, foi necessário montar uma Pastoral em outro país, com legislação menos burocrática. “Infelizmente, o Brasil é um país muito egoísta e a legislação não nos permite, como Pastoral da Criança do Brasil, ajudar a Pastoral da Criança de outros países”, explica.

A partir da fundação da Pastoral no Uruguai, é possível depositar o recurso que chega dos Estados Unidos e fazer as doações para que o trabalho avance nesses países.

Dra. Zilda Arns, morta em janeiro de 2010, durantemissão no Haiti, deixou sua marca na história do Brasilao fundar e coordenar a Pastoral da Criança e Pastoral
da Pessoa Idosa. Viveu para defender as crianças, gestantes e idosos, visando a uma sociedade mais justa, fraterna, com menos doenças e sofrimento. Mais do que os 19 prêmios nacionais e internacionais recebidos e dezenas de homenagens, o legado deixado por ela permanece vivo e a obra ganha, a cada dia, mais adeptos.

A realidade do povo assistido pela Pastoral no exterior é bem diferente da brasileira. Segundo Nelson Arns, a Guatemala, um dos países atendidos, apresenta um dos piores índices de desnutrição mundial.

A partir do trabalho promovido pelo organismo e do envolvimento das comunidades, já é possível ver a situação mudar.

Embora o índice de desnutrição seja de 40% e a existência de 23 línguas oficiais imponha grandes desafios, já são 6.000 crianças acompanhadas.

“O pessoal tem muito boa vontade e começa a superar os diversos desafios. São leigos atuantes, assim como existe no Brasil, já ganhando escala, indo para a sétima diocese”, conta.

Ainda de acordo com Arns, outros países onde o trabalho apresenta progresso são a Colômbia, República Dominicana, Haiti, Guiné Bissau e Filipinas. “É um processo dentro de cada realidade, adaptado à cultura”, justifica.


Questões como vacinação, aleitamento e parto natural são consideradas universais e, de acordo com ele, o grande desafio tem sido trabalhar esses conceitos de acordo com a adaptação cultural de cada país.

ONG ajuda melhorar segurança alimentar


Por Deniele Simões


O Arsenal da Esperança Dom Pedro Luciano Mendes de Almeida é uma instituição de inspiração católica instalada na Capital paulista. O organismo atende 1,2 mil pessoas por dia, com programas educacionais, culturais, assistência médica e alimentação.

Todos os dias, os assistidos, em sua maioria migrantes e pessoas que enfrentam problemas familiares e de desemprego, fazem três refeições básicas na instituição: café da manhã, almoço e jantar.

O Arsenal da Esperança é uma das 51 instituições sociais beneficiadas pela organização não-governamental Banco de Alimentos – organismo criado em 1998 com o propósito de minimizar os efeitos da fome e contribuir para a redução do desperdício de alimentos, através de ações socioeducativas.

O coordenador do Arsenal da Esperança, Gianfranco Mellino, conta que a parceria com o Banco de Alimentos já dura quase 10 anos, sendo a principal responsável pela alimentação dos assistidos.

A parceria permite, inclusive, que a casa possa economizar recursos para aplicação em outras áreas, para o aprimoramento dos serviços oferecidos. “Temos um grande número de pessoas, então tudo aquilo que é doado é servido nas refeições e assim se pode comprar outras coisas com o dinheiro que não é gasto com os alimentos para aplicar nas outras despesas”, relata Gianfranco.

A nutricionista do Banco de Alimentos, Camila Kneip, explica que a Ong funciona como uma espécie de distribuidora. Dentre os principais apoiadores do projeto estão empresas doadoras de alimentos e serviços, além de pessoas físicas e jurídicas que auxiliam com doações financeiras. “A organização possui uma série de parceiros que colaboram para que o trabalho seja desenvolvido de forma mais sinérgica possível”.

Desde 1998, quando surgiu a Ong, essa sinergia tem impulsionado o funcionamento de uma verdadeira rede de solidariedade, que já beneficiou dezenas de milhares de pessoas na cidade de São Paulo e na região da Grande São Paulo.

A rede de entidades beneficiadas atende crianças, adolescentes, idosos, portadores de deficiências físicas e mentais, portadores de patologias como Aids, câncer e doenças cardiovasculares, além de moradores de rua – todos pessoas que passam por risco alimentar e não-economicamente ativas.

Segurança alimentar
Mas, as ações da Ong não se restringem apenas a distribuir alimentos. O organismo ministra cursos, palestras, workshops e oficinas culinárias às entidades atendidas. O objetivo é ensinar os integrantes dessas instituições, assim como seus assistidos, a manipular integralmente os alimentos, com vistas a combater a desnutrição e a subnutrição.

O diretor executivo da Futurong, Lucas Roberto Duarte, é fala com satisfação da parceria entre o Banco de Alimentos e a instituição que dirige. O trabalho abrange diretamente as 1,5 mil pessoas assistidas mensalmente pela Futurong e também seus colaboradores. “O Banco de Alimentos nos auxilia muito na questão da manutenção da alimentação para as crianças e propriamente para a nossa equipe. Eles é que nos ajudam para que possamos cumprir com a nossa missão também, que é a segurança alimentar”.

O trabalho de parceria entre o Banco de Alimentos e outras entidades também atinge pessoas interessadas em aprender com as ações de inclusão alimentar. Um dos exemplos é a parceria entre a Ong e o Centro Universitário São Camilo, onde estudantes do último ano do curso de Nutrição participam de estágio curricular.

De acordo com Camila Kneip, no estágio os alunos desenvolvem trabalhos e pesquisas científicas, fazendo avaliações da população atendida pela Ong, objetivando traçar ações para a melhoria do estado nutricional dos atendidos.

O modelo de gestão criado pelo organismo é tão eficiente que há uma lista de espera de aproximadamente 300 instituições interessadas em receber alimentos. Como a demanda encontra-se no limite, a direção da Ong estuda ampliar o número de atendimentos no futuro, mas necessita de novas parcerias para promover essa expansão.

Mais de 30 milhões estão ligados ao voluntariado no Brasil

Por Deniele Simões


Uma pesquisa da Fundação Itaú Social revela que apesar de 11% dos brasileiros praticarem algum tipo de trabalho voluntário, mais da metade da população tem interesse de praticar o voluntariado.

Outra pesquisa, essa promovida pela Rede Brasil Voluntário e o Ibope Inteligência – estima em pelo menos 35 milhões o número de voluntários no país.

Os dados apontam também que 67% dos entrevistados praticam o voluntariado por quererem ser solidários e ajudar o próximo. Outros 32% aderem para “fazer a diferença e melhorar o mundo” e os 32% restantes fazem isso por motivações religiosas.

Segundo a coordenadora do Centro de Voluntariado de São Paulo, Silvia Maria Louzã Naccache, tanto no Brasil quanto no mundo, as ações voluntárias são entendidas como exercício da cidadania. “São cidadãos preocupados com as necessidades de sua comunidade e que compreendem que é preciso haver a união entre governo, empresas e sociedade civil para a solução dos problemas sociais”, aponta.

Silvia destaca ainda que o voluntariado é uma união de esforços de pessoas que enxergam a vida de modo diferente e que se propõem a minimizar as dificuldades do outro.

A prática segue a lógica de que todos devem atuar juntos para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, visando um mundo melhor não só hoje como para as futuras gerações.

Por que ser voluntário é bom?
De acordo com a psicóloga clínica Keli Rodrigues, o voluntariado ajuda o praticante a conhecer-se melhor e a resignar-se. Isso porque o contato com a dor do outro pode minimizar o ponto de vista sobre as próprias dores e ajudá-lo a aprender a valorizar e respeitar suas conquistas e amizades.

Silvia Naccache destaca que qualquer pessoa pode ser tornar um voluntário, mas é preciso refletir muito antes de iniciar o trabalho. Por se tratar de uma escolha individual, é importante que o candidato tenha em mente o que quer fazer, o que tem de melhor para oferecer e como o seu trabalho pode fazer a diferença na vida das pessoas que for ajudar.

Keli reforça também que a pessoa disposta a assumir o voluntariado deve ser empática com a dor do outro, sem esperar qualquer tipo de recompensa. “Assim a doação será muito mais inteira”, justifica.

O voluntário também precisa entender que esse tipo de trabalho é muito sério e não pode ser abandonado a bel prazer, sem nenhuma comunicação prévia. Outra questão fundamental é exercer as atividades de maneira ética e responsável.

Também é fundamental estar de coração aberto para exercer a função. Depois, a medida em que há comprometimento e envolvimento, o trabalho passa a ser algo mais emocional do que racional. “E aí, sim, esse desejo puramente de auxiliar torna-se pleno”, completa Keli.

Felipe Mello, um dos fundadores da Ong Canto Cidadão, lembra que o voluntariado incide diretamente no comportamento humano, trazendo inúmeros benefícios. Um deles é o voluntário sair da zona de conforto para criar soluções, ainda que pequenas. “Isso gera um acréscimo na crença da possibilidade de a pessoa criar no mundo, e assim ela se fortalece porque deixa de ser espectadora e passa a ser protagonista”, revela.


Outro benefício é a vontade de se interessar para tornar-se interessante, já que o princípio dos bons relacionamentos está relacionado à empatia, que é a capacidade de um se colocar no lugar do outro. Mello cita ainda a melhora nos processos de criatividade, comunicação oral e corporal e, assim como na capacidade de improvisar.

Voluntariado e mercado de trabalho
Silvia Naccache destaca que o crescimento e amadurecimento de programas de responsabilidade sócio-ambiental nas empresas fez surgir a oportunidade de mobilização para que os funcionários possam exercer a cidadania e a solidariedade através do voluntariado.

De acordo com Felipe Mello, já existem empresas que, em processos seletivos, observam com atenção o fato de o candidato ter experiências como voluntário. “Creio que o motivo tenha uma natureza social, ou seja, a empresa interessada em pessoas que pensam coletivamente”, opina.

Outro aspecto colocado por ele e que, talvez seja o principal, é que o voluntariado contribui para o desenvolvimento de competências muito conectadas com a realidade das empresas, como o trabalho em equipe, por exemplo.

Silvia lembra que o desenvolvimento da cultura do voluntariado pode ajudar na construção de uma sociedade com um sistema de valores mais humanos, entre eles a solidariedade, a compaixão, a participação e principalmente a formação de líderes capazes de construir famílias mais felizes, empresas mais saudáveis e comunidades mais solidárias.


Um despertar?

O barril de pólvora em que se transformou o Egito é apenas uma amostra do que está acontecendo em outros países próximos, localizados no norte da África e em algumas nações do Oriente Médio.
Se aqui no Brasil reclamamos da democracia, que financia a corrupção, lá os governantes pecam ainda mais porque, além da falta de liberdade, a corrupção é extrema.

A população desses países começa a dar sinais de intolerância, com protestos.

Coincidentemente ou não, o Egito é considerado o berço da humanidade. Historicamente, também, o país é tido como o percursor das ciências exatas e também do misticismo.

Assim como Roma, que gerou muitos pensadores e lançou para o mundo as ciências jurídicas, um dia o Egito foi à decadência e não se reergueu mais.

Hoje, os tempos são outros; a religião que domina aquela área é completamente diferente, mas o que fica dessa lição é o espírito de luta da população.
Será que começa aí a despertar uma nova consciência?

A polêmica do Wikileaks

A figura de Jean Lagarrigu, criada na década de 1970, mostra bem o que representa a polêmica do Wikileaks.

Pela definição da própria Wikipédia, o WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

Geralmente, as postagens garantem o anonimato dos autores e, por isso mesmo, muita coisa podre já foi exposta ao mundo através do site, como  ser mostrada pelo site, como um vídeo que exibe um helicóptero norte-americano matando pessoas inocentes no Iraque, dentre eles jornalistas que estavam trabalhando.

Pelo fato de tornar pública muitos atos sórdidos, obscuros e suspeitos, por terem sido praticados por autoridades internacionais conhecidas é que o site vem sendo questionado, obviamente.

É lógico que, quando se falava em Internet há 10 anos, ainda não existia legislação específica para crimes digitais. Esse foi um processo lento, que se formou aos poucos, para suprir a demanda de crimes cometivos pela net.

Porém, quando se fala em jornalismo, nunca é demais lembrar que a grande parte dos repórteres que fazem um trabalho mais investigativo conseguem informações em off, de fontes que pedem para não aparecer.

Quantas vezes já soube do fato de colegas - e eu mesma - que receberam informações quentes, em envelopes lacrados, que foram estrategicamente depositados no jardim de suas residências, ou mesmo na porta da redação, em envelopes lacrados.

É óbvio que o bom repórter, quando recebe um material desses, vai checar tudo direitinho.

Na era da informação rápida, o Wikileaks tem servido como um verdadeiro repositório de pautas para os jornalistas que, por sua vez, fazem todo o trabalho de checagem.

Sob o ponto de vista jornalístico e da liberdade de expressão, portanto, o Wikileaks é uma ferramenta de extrema utilidade. Sobretudo se formos levar em consideração que as informações ali veiculadas dificilmente chegariam às mãos da imprensa.

É o chamado espaço para "jogar a merda no ventilador".

Mas, sob o ponto de vista ético e moral, é uma outra questão a ser debatida.

Mais um Justo Veríssimo

Mais um comentarista travestido de Justo Veríssimo que, assim como o ex-presidente João Figueiredo, deve preferir o cheiro da m* dos cavalos aos pobres.

Lamentável o que a Globo sulista faz...

"Paratodos"

A música é antiga. Aliás, uma das últimas que Chico gravou. (Faz um bom tempo que ele não lança material inédito). Mas, também, não fica falando besteiras por aí que nem outros...

Apesar de já ter mais de 15 anos, "Paratodos" é atualíssima. Agora, mais do que nunca, serve para provocar reflexões, principalmente naqueles que tentaram dividir o país ao meio nessas eleições. Jogar nordestinos contra paulistas e rememorar a crueldade nazista, que tentou impor ao mundo uma raça única, supostamente acima de qualquer criação. Deu no que deu...

Os crimes cometidos pela imprensa

Nunca é demais lembrar que errar é humano.
Porém, criar erros em detrimento de vidas é estupidez; arrogância; maniqueísmo.

Gritando por direitos


As pastorais sociais da Igreja Católica inventaram um jeito diferente de protestar. O Grito dos Excluídos - manifestação que se contrapõem às comemorações oficiais do sete de setembro - dá um colorido diferente às ruas, praças e avenidas dos grandes centros urbanos em praticamente todos os estados do País.

Segundo um dos membros da Coordenação Nacional, Ari Alberti, o movimento nasceu em 1995, motivado pela Campanha da Fraternidade daquele ano, que retratava o drama dos excluídos.

Entrevistei Alberti por telefone e fiquei surpresa ao tomar conhecimento da ligação estreita entre o movimento e a Igreja. Até então, pelo que eu entendia por Grito dos Excluídos, achei que se tratava de um movimento organizado por lideranças sindicais, ONGs e outros grupos interessados em protestar. Pois bem; é perguntando que a gente aprende.

Aqui na região do Vale do Paraíba, o Grito dos Excluídos é muito forte, sobretudo em Aparecida, onde está instalado o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.  

Geralmente, o Santuário costuma bombar de gente no 7 de setembro. E, apesar da chuva, não foi muito diferente neste sábado, quando milhares de manifestantes compareceram às manifestações, que tiveram início logo nas primeiras horas da manhã, com a 23ª Romaria dos Trabalhadores e, às 9h30, o tradicional Grito dos Excluídos, na Tribuna Papa Bento XVI, com a participação de animadores das pastorais sociais da Igreja e manifestantes griatando por mais educação, saúde, segurança pública, trabalho, terra, dentre outras necessidades básicas que, infelizmente, ainda não são supridas pelo Estado. 


"Além de movimentos e organizações que se comprometem e assumem o Grito, nós podemos falar com tranquilidade que ele é um acontecimento nacional. Isso porque ele aconteceno 7 de setembro. E isso é muito importante, porque você está dando um novo colorido, uma nova concepção de Semana da Pátria, de semana de cidadania", avaliou Alberti.

Tradicionalmente, o Grito tem seu lado religioso, que culminou com a celebração eucarística das 10h30, na Basílica Nacional. O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) - organismo episcopal que historicamente tem lutado pela justa distribuição de terras no Brasil - , Dom Ladislau Biernaski, concelebrou a missa, ao lado do arcebispo metropolitano Dom Damasceno.

Para Biernaski, o Grito dos Excluídos é um momento que os excluídos têm para se fazerem ouvidos pela sociedade; em que podem falar de suas necessidades básicas em favor de uma vida mais digna. "
Nós temos de tratar da nossa fé, do nosso espírito, da nossa oração... Mas também temos o corpo para alimentar. E este mesmo corpo precisa de um lugar para morar, precisa de saúde, de educação, então tudo está ligado e a fé mostra por meio da perspectiva da realidade", declarou.


Plebiscito popular
Um plebiscito popular que vinha sendo idealizado há 10 anos deu o tom às manifestações deste ano. A consulta, iniciada no dia 1º, é sobre o que a população acha da limitação da propriedade da terra no Brasil.
Essa é uma ideia que foi lançada pelas pastorais sociais da Igreja e que tem tomado corpo em alguns setores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O assunto é complexo e, pelo fato de dividir a opinião dos religiosos, ainda não está oficializado. 
Mesmo assim, é possível ver muitos padres e bispos engajados na questão da limitação da propriedade, com vistas à criação de mecanismos que definitivamente possam barrar de vez a prática do latifúndio de nosso país.

É essa Igreja engajada em movimentos sociais que eu acho interessante observar e - por que não? - participar.

Reflexões sobre 11 de Setembro de 2001

Já é setembro e o ano, 2009. No décimo primeiro dia do mês, há exatamente oito anos, acontecia a tragédia que, talvez, seja considerada a mais expressiva do mundo contemporâneo. O atentado às Torres Gêmeas, símbolo maior do capitalismo norte-americano, deixou marcas não só nas famílias dos 184 mortos, como em toda a humanidade.

Cumprindo seu dever de chefe de estado, o presidente Barack Obama participou hoje de uma das cerimônias anuais que relembram as vítimas e chegou a se reunir com parentes dessas pessoas, inclusive fazendo um discurso alusivo à data.

Eleito como alternativa à política de guerra do ex-presidente George W. Bush, Obama enfrenta agora o ônus de ter assumido um país que priorizou investimentos bélicos, em detrimento das políticas sociais que agora tenta implantar.

Diante das propostas de campanha e do quadro de crise que assola o país há anos, o atual comandante norte-americano vai, aos poucos, se desvencilhando das políticas de guerra impostas pela era Bush e que, mesmo diante de tantos críticos, só se tornaram insuportáveis após um novo mandato do republicano.

Na era Bush, não faltaram ativistas que se manifestaram contrários às políticas adotadas. Até mesmo o premiadíssimo cineasta Michael Moore, às vésperas das eleições presidenciais, fez um documentário mostrando a história do 11 de Setembro, sob o prisma das questões que levaram ao ataque e seus desdobramentos.

À época, o filme, que mexeu com a opinião pública mundial, não surtiu o efeito desejado por Moore – o de derrotar Bush nas urnas – e os norte-americanos assistiram a mais um mandato estrategista, calcado na indústria bélica.
Moore, crítico ferrenho da era Bush
Como bem denunciou o cineasta, o modelo era baseado na criação de um “bode expiatório”, no caso o “rebelde” Osama Bin Laden, que supostamente comandou a destruição das chamadas Torres Gêmeas.

Só que a família do “rebelde”, na verdade, sempre manteve relações amistosas e comerciais com a de George W. Bush que, a pretexto de encontrar um “judas”, acabou invadindo o Iraque como forma de “vingar” a honra norte-americana. Estava, então, montado o circo que renderia a Bush mais quatro anos no poder.

Os democratas e outros opositores do governo acabaram perdendo as eleições e Bush fez e aconteceu por mais um mandato – novamente esquecendo-se de propostas sociais e levando ao sucateamento o sistema imobiliário norte-americano.

Oito anos depois, os números da tragédia ainda batem forte na memória da humanidade. Além da destruição das torres de 110 andares e das 184 pessoas que morreram no local, as perdas oficiais contabilizam 3.234 falecimentos, pelas mais diversas causas.

Uma avalanche de mortes, sangue, concreto, chamas e a certeza de que jamais a tragédia será apagada das mentes da humanidade.
Esses detalhes se sobressaem com tamanha força no dia de hoje, ainda neste momento, em que os yankees enfrentam uma de suas piores crises econômicas.

E, a propósito, por onde anda Osama Bin Laden?

Woodstock 40 anos depois – uma análise fria e comercial

Festival pregava o espírito de liberdade e o modo "hippie" de ser
"Os filhos de Bob Dylan,
Clientes da Coca-Cola
Os que fugimos da escola
Voltamos todos pra casa.
"
(Trecho de Lira dos 20 Anos, de Belchior / Francisco Casaverde)

Na semana em que se comemora os 40 anos de Woodstock, parece não haver muito barulho sobre aquele que ainda é considerado o maior festival de música de todos os tempos.

O ano era 1969 e dizem aqueles que viveram o espírito da “Era de Aquarius” então apregoado na época, que o evento chegou a reunir mais de um milhão de jovens em três dias de muito sexo, drogas e rock´n´roll.

Quatro décadas após o festival, que rolou entre os dias 15 e 18 de agosto, em uma fazenda perto de Nova York (EUA), é possível traçar paralelos com o cotidiano urbano do século XXI e, principalmente, analisar as consequências provocadas por um grupo de jovens que queria se divertir em paz e, acima de tudo, clamava por liberdade.

Embora eu definitivamente não tenha pertencido àquela geração e ainda esteja na casa dos 30, já li reportagens e assisti a documentários sobre o assunto, e respeito a opinião de críticos que vivenciaram a época - como é o caso do jornalista e produtor Nelson Motta.
Joe Cocker
Há algumas semanas, Motta produziu uma matéria para o Jornal da Globo, em que promovia uma análise fria do festival. “Os velhos hippies já estão de rabo de cavalo branco”, brinca.

Apesar disso, ele acredita que muitas heranças tenham sido deixadas. Fazendo um resumo clássico, Motta diz que os idealizadores do festival eram, no fundo, “um bando de doidões sem recursos, sem gravadoras e sem patrocínios”.

Na avaliação deles, esses doidões produziram um mega evento, que entrou para a história e se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. Muitos deles morreram, transformando-se no que chamou em “monumentos do rock” - Jimi Hendrix e Janis Joplin são dois exemplos lógicos disso, já que deixaram um legado musical incrível, construído em muito pouco tempo.

Joe Cocker, Neil Young e Carlos Santana são apontados por Motta como os ícones de Woodstock que continuam na ativa, levando sua música não só aos filhos, como aos netos daqueles “doidões” que assistiram ao festival.

Concordando com o que Nelson Motta diz, vou um pouco mais além e posso constatar que esses artistas a quem ele se refere não só continuam na ativa, como vira e mexe aparecem para promover turnês milionárias.

Às vezes também costumam se engajar em movimentos sociais, mas que não tiveram a importância como o da contracultura, apregoado à época de Woodstock.
Carlos Santana
Talvez com exceção de Neil Young, que inclusive teve uma música usada na trilha do filme Fairenheit 9/11, de Michael Moore, os outros parecem ter abdicado daquele tal espírito de liberdade e literalmente terem se tornado clientes da Coca-Cola e voltado para suas casas.

A exemplo do poeta Bob Dylan – que fazia a cabeça da galera jovem na época, mas não participou do festival – Neil Young parece continuar acreditando em sonhos.

E sonhos são importantes para que o ser humano se mantenha de pé, focado, lutando e acreditando na vida e em seus desdobramentos.
Young continua levantando a bandeira do rock engajado
Young é, talvez, a prova de que tudo isso vale a pena – independentemente de ideologias e questões financeiras. Não é a toa que, aos 63 anos, ele continue levando sua música pelo mundo, lotando plateias e se engajando cada vez mais nas causas sociais.