Fogo!


Uma cena pitoresca chamou a atenção na tarde desta sexta-feira (8/10). Após retornar de Aparecida, caminhava pelo centro da cidade quando, de repente, avistei uma nuvem negra no céu.

Na verdade, não era bem uma nuvem, mas um amontoado de fumaça que subia, escurecendo os céus de Pindamonhangaba.

Atenta à cena atípica, peguei minha moto e resolvi  conferir de onde vinha a tal fumaça.

Rodei por cerca de dois quilômetros e cheguei ao Mombaça. Bem no finalzinho do bairro foi possível constatar o que realmente aconteceia.

Uma área particular, coberta por eucaliptos, estava pegando fogo. O local estava repleto de curiosos. Era gente da imprensa fotografando, populares registrando pequenos vídeos e imagens com seus celulares, crianças entrando na mata para tentar ver o fogo mais de perto.

Um verdadeiro perigo, na verdade. Fumaça se espalhando pelo céu, a temperatura subindo e os curiosos se amontoando cada vez mais ao redor da área em questão.

Apesar de se tratar de uma área particular, bem nos fundos do bairro, a responsabilidade da empresa que arrenda o local - que inclusive tem uma brigada de incêndio - é grande nesse tipo de situação.

Se tivesse acontecido há cerca de um mês, o fogo poderia ter tomado proporções catastróficas, em função da umidade do ar, que estava baixíssima.

Sem falar no mal que a fumaça pode causar à saúde humana. Também há cerca de um mês, quando fazia uma pauta sobre queimadas para o Jornal Santuário de Aparecida, entrevistei um médico pneumologista do Instituto do Coração, e ele me revelou que a fumaça - tanto aquela emitida por queimadas, como a resultante da poluição - traz o mesmo tipo de efeito para o organismo.

Sofrem principalmente aquelas pessoas que têm problemas como sinusite, rinite e outras doenças crônicas respiratórias.


E, nunca é demais lembrar: já tem uns dias que não chove pra valer aqui no Vale do Paraíba. Somando-se a isso, a temperatura está começando a subir e áreas de mata como aquela no final do Mombaça tornam-se mais propensas à propagação do fogo.

Tive a oportunidade de conversar com o Tenente Palumbo, responsável pelo setor de Comunicação do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. Na conversa, ele me explicou que, em dias secos, é possível pegar fogo praticamente do nada em áreas de mata. Basta alguém jogar uma bituca de cigarro acesa nas proximidades, ou depositar lixo contendo materiais metálicos ou vidro. Esses instrumentos servem como lupa para converter os raios solares em fogo.

Moral da hisória: com muito pouco está feita uma verdadeira bomba caseira.

Vamos, agora, aguardar a análise do Corpo de Bombeiros para descobrir o que provocou a tal queimada lá no Mombaça.

E continuemos de olho!

Imagens: Deniele Simões, com a Cybershot 2.0 MP interna do Sony Ericsson K550i 

Sob protestos, audiência para criação do parque nacional da Mantiqueira é suspensa

Prefeitos de várias cidades da região questionaram falhas no processo de elaboração do projeto

Projeto pode deixar 400 mil pessoas sem trabalho na região
Após muita polêmica, inúmeros protestos e manifestações contrárias, a audiência de consulta pública sobre a criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira, promovida na noite desta segunda-feira (7), em Pindamonhangaba, acabou suspensa.

O encontro foi proposto para apresentar o projeto à comunidade, mas gerou desconfiança tanto de agentes políticos, como de produtores, técnicos e trabalhadores rurais, que temem desemprego em massa, com o fechamento de 400 mil postos de trabalho no setor de agronegócios.

O público questionou a falta de clareza e divulgação do projeto, como explica o produtor Andreas Plosch, que atua na bacia do Ribeirão Grande, em Pindamonhangaba. “Fiquei sabendo dessa reunião na última hora. Larguei tudo o que estava fazendo e vim às pressas”, disse.

Plosch conta que os 1,6 mil moradores do Ribeirão Grande sequer foram avisados pelos organizadores do encontro e ele próprio tomou conhecimento por meio de uma funcionária da Casa da Agricultura – órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

O processo de condução das negociações para a implantação do parque também desagrada a população de Guaratinguetá। O prefeito Antonio Gilberto Filippo Fernandes Junior questionou a falta de consultas às partes interessadas, que são os municípios.

Geraldo Meirelles: "Sou absolutamente contra. É inviável e desnecessário."

“A forma com que estão fazendo está extremamente equivocada. Estão criando um parque nacional sem consultar os municípios e fica a sensação de algo goela abaixo”, relatou. Filippo disse ainda que 20% das terras da cidade serão usadas na criação do parque e a população sequer foi convidada para opinar.

Proprietário de terras no bairro das Pedrinhas, em Guaratinguetá, Geraldo Meirelles se manifestou contrário ao projeto. “Sou absolutamente contra. É inviável e desnecessário”, declarou.

Além de temer pelo desemprego de 400 mil trabalhadores, Meirelles vislumbra a possibilidade de as indenizações não serem pagas às pessoas que tiverem terras desapropriadas, em função da aprovação de uma emenda à Constituição que modifica a lei dos precatórios.

Outro município que deve perder com a criação do parque é Delfim Moreira (MG). Segundo o prefeito Carlos Antonio Ribeiro, seriam 2,5 mil pessoas afetadas, que sobrevivem de atividades no campo, como a apicultura.

“O que estaria pensando Chico Mendes se estivesse vivo? Um homem que morreu pela sustentabilidade”, questionou Ribeiro, ao comentar a criação do parque, que tem ligação direta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Para a prefeita de Campos do Jordão, Ana Cristina Machado César, a criação de parques de preservação esbarra na questão da fiscalização. “Campos do Jordão já tem um parque estadual que ocupa um terço da cidade. É difícil de se policiar e de se preservar”, observou.

O prefeito de Pindamonhangaba, João Antônio Salgado Ribeiro, compartilha da opinião da colega Ana Cristina e vai mais além, ao abordar mencionar itens como sustentabilidade e desenvolvimento econômico. “É importante saber cada detalhe, o que vai acontecer com esses proprietários, o que o governo federal vai fazer para ajudar as prefeituras a tomar conta dessa área. É uma questão bastante ampla, que diz respeito à agricultura, ao desenvolvimento econômico e à área social”, afirmou.

Paulo Mota, de Campos do Jordão, diz que foi pego de surpresa e reclamou da qualidade do material apresentado

Falta informação
Paulo Mota, que possui terras em Campos do Jordão, criticou os detalhes técnicos do projeto e chegou a pedir a suspensão da audiência. “Fui pego de surpresa e, ao analisar o que tem disponível no site para consulta, nota-se a falta de material inteligível, que deixa dúvidas”, explicou.

O arquiteto urbanista Urbano Reis Patto Filho concorda quanto à falta de detalhes técnicos sobre o projeto. “Manter o projeto com tamanha generalidade e indefinição é temerário. Não se diz absolutamente nada a respeito de estrutura, custos, pessoal, administração”.

Outro questionamento do profissional é com relação às indenizações que deverão ser pagas aos proprietários da área onde o parque será instalado. “A atenção para esse tipo de assunto, que não é mero detalhe, deve ser redobrada em períodos de transição político-administrativa, como o que se avizinha”, alerta.

De acordo com Patto, ainda não se sabe sobre os valores orçamentários previstos para a implantação do parque, nem mesmo se esses recursos estariam consignados na Lei de Diretrizes Orçamentárias da União e no Plano Plurianual (PPA).

Patto lembra, também, que os proprietários de áreas englobadas pelos parques da Bocaina e da Serra do Mar ainda não foram indenizados e não houve demarcação definitiva desses espaços pelo governo.

Caso seja criado, o Parque Nacional Altos da Serra da Mantiqueira vai abranger os municípios paulistas de Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Piquete, Cruzeiro, Lavrinhas, Queluz e Cachoeira Paulista; as cidades mineiras de Delfim Moreira, Marmelópolis, Virgínia, Passa Quatro, Itanhandu e Itamonte, além do município de Resende, no Rio de Janeiro.

Documento assinado pelas partes estipula novo prazo para apresentação da proposta

São Paulo é o Estado com o maior número de terras concentrada dentro do novo parque, com 65,27% de participação no projeto.

Pelo termo de acordo da reunião de ontem, foi estabelecido prazo até 31 de janeiro de 2010 para que os técnicos do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade enviem os documentos para detalhamento da proposta de implantação. Os representantes de cada município envolvido terão 60 dias para avaliar o material e apresentar uma contraproposta.
Além da reunião em Pindamonhangaba, os organizadores do projeto devem realizar outras audiências públicas para debater o assunto, uma nesta terça-feira (8), em Cruzeiro (SP), e mais outras duas em cidades do Estado de Minas Gerais.