"Caminhad@ e Pic Nic Pé na Trilha" estimula encontro entre amigos e partilha de experiências


Celebrar os laços de amizade e partilhar experiências de vida em meio à natureza, com a possibilidade de fazer uma caminhada por uma trilha com muito verde e, no final, ainda receber orientações sobre vida saudável e autoconhecimento.

Essa é a proposta de um grupo, formado por amigos e amigos de amigos, que vai se reunir no próximo sábado (15), para um encontro informal no Parque da Cidade, em Pindamonhangaba.

O encontro, batizado como "Caminhad@ e PicNic Pé na Trilha", promete ser uma oportunidade não só de reunir amigos, mas de criar novas amizades, em uma trilha de fácil acesso, que reúne paisagens bucólicas e muito verde. Tudo bem pertinho do centro da cidade, a menos de cinco quilômetros.

A organizadora do encontro, Tânia Mara Alves, reforça que o melhor de tudo é que a "Caminhad@" vai proporcionar a reunião de amigos com objetivo comum, ou seja, encontrar a felicidade nas pequenas coisas. 

De acordo com ela, a correria do dia a dia, a vida agitada e o uso frenético da internet e das redes sociais acaba fazendo com que muita gente esqueça um pouco as pequenas atitudes que podem fazer as pessoas felizes, como a energia de uma nova amizade, de um abraço, ou até mesmo de um bom dia. 

"A minha proposta é fazer com que as pessoas que participem desse encontro tenham a percepção de que a felicidade pode ser encontrada em pequenas coisas, em pequenas atitudes, como em um olhar, um toque, em objetivos e metas em comum", explica a organizadora do evento, que está marcado para começar às 9h30.

Tânia lembra que, ao participar da caminhada, as pessoas vão perceber que não se trata apenas de fazer uma trilha, ou de caminhar pelo simples ato de caminhar, mas de saber que todos estão caminhando com o propósito de uma vida melhor. 


Trilha, piquenique e bate-papo informal
O Parque da Cidade está situado em uma área de 480 mil metros quadrados, no entroncamento da rodovia Amador Bueno da Veiga com a avenida Professor Manoel César Ribeiro.

A trilha utilizada durante o encontro tem pouco menos de 4 quilômetros de extensão, com nível de dificuldade fácil. Isso significa que até mesmo crianças vão poder participar, desde que acompanhadas dos pais.

Logo após a caminhada, os participantes vão se reunir para um momento de descontração, em que poderão recarregar as energias que gastaram durante o exercício. A ideia é fazer um grande piquenique colaborativo, em que cada participante leva um prato e uma bebida de sua preferência. E, depois de repor as energias, os caminhantes vão poder participar de um bate-papo agradável, com informações sobre saúde e qualidade de vida.

Plantando sementinhas
Segundo Tânia Mara, tudo será feito de maneira bem informal. Ela aproveita para reforçar o convite a todos que queiram participar. "Acho que a vida está aí para ser vivida  e tem muita gente bacana sem amigos. Muita gente que gosta de natureza e não vai ao convívio dela por falta de companhia. Faço isso porque quero ser uma propulsora, para semear a semente de vida nas pessoas, em pequenas atitudes que nos fazem bem", explica.

O encontro não tem nenhum objetivo comercial. Muito pelo contrário. A ideia é reunir pessoas em busca de um objetivo comum: saúde, bem estar e qualidade de vida.

Essa é a segunda vez que ela promove a caminhada entre amigos e a ideia é fazer pelo menos um encontro desse tipo todos os meses, proporcionando saúde, alegria, conhecimento sobre saúde e bem estar, contato com a natureza, atividade física e a valorização das coisas simples da vida, mas que são essenciais.

O que há por trás da onda de palhaços assustadores?


Desde outubro, uma onda de ataques promovidos por pessoas vestidas de palhaços tem causado pânico ao redor do mundo.

Escondidas atrás de máscaras, maquiagem carregada e narizes vermelhos, essas pessoas literalmente vêm “tocando o terror”, promovendo não só atos de vandalismo, destruindo o patrimônio público, como agredindo crianças, idosos e, até mesmo, praticando crimes mais severos.

No Brasil, as primeiras aparições de palhaços assustadores aconteceram em Curitiba (PR) e São Paulo (SP), como fotos compartilhadas nas principais redes sociais.

Mas, no último dia 8 de novembro, a situação começou a ganhar proporções mais realistas, com a prisão de um homem vestido de palhaço no terminal rodoviário da Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ).

O homem acabou sendo preso ao tentar fugir da presença de policiais militares que faziam ronda no local. Os PMs constataram que se tratava de um fugitivo da Justiça.


A prisão do criminoso é prova de que os comportamentos disseminados pelas redes sociais acabam se repetindo, tornando uma espécie de “viral” também no mundo offline, conforme explica a psicóloga e presidente da Associação de Hipnose do Estado do Rio de Janeiro (Ahierj), Marcia Mathias.


“Segundo Bandura (teórico da área de Psicologia), na infância, o ser humano aprende através de modelar, imitar o outro, só que o tempo passa, as pessoas crescem e, para chamar a atenção dos outros, copiam atitudes e comportamentos questionados pela sociedade”, justifica.

Para a especialista, esse tipo de comportamento vira uma “febre” rapidamente, nos dias de hoje, graças à viralização, por meio da internet e da televisão.

Marcia também vê nos atos de vandalismo uma forma que as pessoas encontraram de colocar a raiva para fora, usando como proteção o anonimato garantido pela fantasia.

Ainda de acordo com a psicóloga, além de as alegorias dificultarem a identificação dos infratores, eles agem sempre em grupo. “Nunca atuam sozinhos e o objetivo é mostrar poder”, opina.

Os relatos de palhaços assustadores no exterior deram conta, até mesmo, de agressões a pessoas que passavam nas ruas. Para a psicóloga, além dos danos físicos, esse tipo de ataque pode provocar graves transtornos. “Os danos psicológicos podem aparecer de imediato - que seria a ansiedade – , ou a longo prazo, com problemas como fobias e a síndrome do pânico”, orienta.

Por que os palhaços assustam?
Tradicionalmente, os palhaços são sinônimo de diversão e alegria. Mas, não é grande o número de crianças que se assustam ao vê-los.

De acordo com a psicóloga, as crianças, quando muito pequenas, têm alguns medos, não só de palhaços, como até do Papai Noel. “A psicologia vê que esse paradoxo surge da forma como a criança é apresentada a esta figura circense, que na realidade surgiu para substituir os bobos da corte, que devem trazer a alegria para as famílias”, justifica.

A estudante de jornalismo Annie Caroline Barbosa Santos, de 21 anos, tem certa repulsa por palhaços. “Para mim, a figura do palhaço nunca foi encantadora, sempre foi bastante assustadora. Lembro-me que, desde criança, eu não gostava de pessoas caracterizadas de palhaços, estando elas em festas particulares ou no centro da cidade ‘animando as vendas’”, conta.

Quando criança, Annie Caroline fugia dos palhaços porque ficava assustada com as roupas e, principalmente, com a maquiagem, a peruca e a risada deles.

O horror da futura jornalista por palhaços não parou na infância e continua até hoje. “Não consigo ficar no mesmo espaço em que está um palhaço, inclusive meu namorado já sabe disso e, quando ele observa um local em que há essa figura, já me faz trocar de calçada e ambiente”, revela.

Márcia acrescenta que esse tipo de repulsa pode ser explicada pelo contato que as pessoas tiveram com palhaços na infância. “O palhaço é a caricatura barulhenta, que deixa marcas positivas e/ou negativas da nossa infância, devido ao trauma que os pais criam, quando falam que o palhaço vai levar a criança que fizer bagunça, e outras mentiras para controlar o comportamento infantil”.

Ao falar sobre os recentes casos de palhaços assustadores em espaços públicos de várias cidades no exterior e no Brasil, a estudante diz acreditar que, em alguns casos, tratam-se de pessoas com distúrbios psicológicos.

“Infelizmente, observamos que o medo, o pânico, a desordem e feridas são alguns dos meios de prazer de algumas pessoas atualmente”, opina. Para ela, o fato de os ataques já terem acontecido em outras regiões é um grande fator para que se desperte a vontade de outras pessoas agirem da mesma forma.

“Na minha opinião, as curtidas, os compartilhamentos e os comentários 'engraçadinhos' em posts nas redes sociais só fazem com que essa vontade aumente, pois está gerando um “ibope” muito grande e é isso que muitas dessas pessoas da 'onda' de palhaços assustadores querem”, completa a estudante, que espera rigidez das autoridades para coibir esses atos de vandalismo.

A notícia dos palhaços assustadores também remete a um antigo costume do carnaval do Rio de Janeiro: os bate-bolas ou Clóvis, segundo a psicóloga.

Os bate-bolas se reuniam em grupos, vestidos de palhaços, para assustar as pessoas. “Sempre estavam encapuçados e batiam no chão bolas imensas de plástico, fazendo com que adultos e crianças, ficassem com medo, pois o som parecia ensurdecedor”, justifica.

Márcia lembra que os bate-bolas vinham de vários lados e, a exemplo dos palhaços assustadores de hoje, faziam aquilo para chamar a atenção.


Vilões disfarçados de palhaços
A exemplo do homem preso na Central do Brasil, no início do mês, muitos vilões usam o disfarce de palhaços para praticar crimes – fato bastante explorado nos cinemas.

Muitas produções de Hollywood já exploraram o lado “maligno” dos palhaços, mostrando-os como psicopatas e assaltantes. É o caso clássico do Coringa, arqui-inimigo do Batman.

Como explicar essa ligação entre palhaços e criminosos nesse tipo de filme, sob o aspecto comportamental e da psicologia? Na opinião de Márcia, o Coringa tem o aspecto comportamental caracterizado pela inteligência voltada para o mal, pela risada barulhenta e pelas charadas criadas para desvendar seus passos, testando o Batman o tempo todo.

Ao mesmo tempo, o palhaço é uma figura caricata, sempre muito maquiada, que traz a dualidade do bem e do mal, do eu gosto ou detesto, que marca a infância de todas as crianças.

Culto aos "santos de cemitério" chama a atenção no Dia de Finados


Devoção popular é traço marcante na região do Vale do Paraíba

A região metropolitana do Vale do Paraíba abriga um parque industrial diversificado, possui uma atividade comercial diversificada, reúne prestadores de serviços nas mais diversas áreas e tem ampla produção agropecuária.

Além da economia pujante, o Vale do Paraíba é marcado por uma cultura fervilhante, também chamada de Cultura Caipira, marcada por lendas, costumes antigos e, sobretudo, pela religiosidade popular.

A professora do Instituto Básico de Humanidades e pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas de Práxis Contemporâneas da Universidade de Taubaté (Unitau), Cristiane Moreira Cobra, define a religiosidade da população valeparaibana como plural. “É formada historicamente a partir de tradições lusas, africanas e indígenas”, justifica.

No Vale do Paraíba, a fé manifesta-se sob várias formas e uma das mais comuns é o culto aos santos populares, que não foram oficializados pela Igreja Católica Apostólica Romana.


Conforme Cristiane, a devoção popular na região é realmente rica. Uma das práticas mais recorrentes é visitar túmulos de padres, crianças, mulheres e até andarilhos. Os fiéis atribuem muitas graças a essas pessoas.

O culto a esses “santos” faz parte do dia a dia da população, mas se intensifica em períodos como o Dia de Finados.

É nesta época do ano que muitas pessoas vão aos cemitérios para visitar os túmulos de pessoas que foram consideradas santas em vida e que continuam intercedendo pelo povo após a morte.

Na cidade de Cunha, Sá Mariinha atrai as atenções dos fiéis. “Era uma senhora negra, ‘rezadeira’, que é objeto de devoção também por décadas”, explica Cristiane.

No local onde ela morou, hoje existe uma bica considerada santa e um centro de fé que recebe romarias com frequência.

Taubaté também é um município rico em devoções de cemitério. No cemitério do Belém, um dos túmulos mais visitados é o da menina Danielle, que recebe doces, chupetas, presentes, balas e outras oferendas constantemente.

Em São José dos Campos, o túmulo do padre salesiano Rodolfo Komorek, de origem polonesa, recebe grande número de visitantes. O religioso, que viveu na cidade entre 1940 e 1949, é considerado santo pelos moradores.

Padre Rodolfo sofreu com a tuberculose e, mesmo desenganado, não deixou de assistir os doentes e mais necessitados. Foi daí que nasceu a fama de santidade.

Até o final da década de 1990, o corpo de padre Rodolfo estava no cemitério que leva o mesmo nome do religioso. Depois, houve a transferência para a paróquia Sagrada Família.

De acordo com a Congregação Salesiana, há pelo menos sete mil graças alcançadas pela intercessão do sacerdote polonês. São pessoas que obtiveram curas de doenças, tiveram filhos que se libertaram das drogas, do álcool, dentre outras graças.

Outro religioso venerado pelos fiéis na região é o missionário redentorista padre Vítor Coelho de Almeida, que viveu em Aparecida. Padre Vítor é considerado santo pelos romeiros, que atribuem muitas graças a ele.

Na Rodovia dos Tropeiros, entre Cachoeira Paulista e Silveiras, está localizado o Santuário de Santa Cabeça, que recebe muitas visitas. “É um local de peregrinação, por conta de uma cabeça de uma imagem de Nossa Senhora ali encontrada e que se tornou objeto de devoção popular ao longo de décadas”, conta a professora Cristiane Cobra. A devoção baseia-se no culto a uma cabeça de uma imagem da Virgem Maria, que possivelmente foi encontrada por tropeiros no rio Tietê.

Como surgem essas devoções?
Cristiane Cobra, que além de professora é filósofa, mestre em Ciência da Religião e doutoranda em Ciências Sociais, salienta que essas devoções surgem mediante histórias de dor e sofrimento, martírios, mortes violentas por acidente ou decorrentes da maldade humana.”

De acordo com a estudiosa, há versões diversas sobre a vida desses santos de cemitério e as razões de suas mortes, já que a chamada rede de devoção constitui-se através da tradição oral.

Segundo Cristiane, existem três matrizes que explicam a influência do desenvolvimento da religiosidade popular na região do Vale. “A matriz colonizadora veio com jesuítas e bandeirantes, que trouxeram em sua bagagem seus hábitos cristãos, seus costumes, sua moral, sua viola, sua música, seus rituais, vestimentas, idioma etc.”, ressalta.

A matriz indígena também permanece na cultura regional. A professora cita a diversidade de povos, rituais, crenças, costumes, danças, ritmos marcados nos pés, múltiplos idiomas e práticas alimentares, a relação de equilíbrio e respeito com os ciclos da natureza, a moralidade e as práticas sociais festivas tradicionais como fatores mais preponderantes.

E, por último, a matriz africana, caracterizada pela força de povos diversos, trazidos violentamente para compor nosso país, trouxe hábitos alimentares, instrumentos musicais, idiomas, práticas rituais, danças, crenças, histórias e costumes que, sincreticamente, permaneceram e marcam a pluralidade da Cultura Popular Caipira e da religiosidade regional.

A cientista social e folclorista Angela Savastano, de São José dos Campos, acredita que, em função de aspectos históricos, como a colonização, a presença de povos vindos da Europa e África, e a presença das manifestações indígenas, o Vale possui um traço muito rico e diversificado.


Segundo Angela, essa devoção desencadeia um comportamento bastante particular, que é a visita ao local onde o corpo do “santo” está enterrado e o depósito de flores e outras oferendas.
“Começam ali os rituais, também espontâneos, que o próprio homem cria, para dizer que esteve ali rezando por aquela pessoa santa, recebendo graças e provando isso”, explica.

Na avaliação de Cristiane, os santos oficiais inicialmente dependiam da avaliação hierárquica do Vaticano, que verificava a vida exemplar dos candidatos à santidade. “Porém, no decorrer da história e com o desenvolvimento científico, a Igreja passou também a considerar e avaliar cientificamente a credibilidade dos possíveis milagres”, justifica.

Só que, para quem crê, os santos não oficiais podem ter a mesma força daqueles já oficializados. “Importam mais a identificação e a fé do povo”, salienta.
A posição oficial da Igreja Católica em relação a essas devoções é de acolhimento e respeito. “Independentemente de serem reconhecidas ou não, há um profundo respeito”, explica mestre em Ciências da Religião e doutor em Sociologia, padre José Carlos Pereira.

Segundo ele, o tema foi tratado no Documento de Aparecida, fruto da Conferência do Conselho Espiscopal da América Latina e Caribe, em 2007. No texto, os bispos latino-americanos afirmam que é preciso respeitar as manifestações populares que estão dentro das paróquias e Igrejas.