Às vezes a gente ouve certas músicas e não sabe nem de quem é. Como fã incondicional do grupo Ira!, sou suspeita pra falar, mas achava que se tratava de mais uma parceria Nasi - Edgard Scandurra.
Tamanha foi a surpresa quando descobri que se trata de uma composição de Reynaldo Bessa e Zé Rodrix.
Quanto a Rodrix, já falei dele por aqui e pretendo continuar falando. O cara foi sensacional - e continua sendo, pelo menos na memória de seus admiradores, como profissional da publicidade, escritor e músico que foi.
A letra fala de amor. Não sei se ele se refere ao amor - provavelmente e eu entendo que seja, ao amor que une amigos, pais, famílias e pessoas como um todo.
Algo que é muito importante e às vezes fica implícito e quase esquecido diante do corre-corre que é o mundo e da ânsia em que vivemos.
Por Amor
Ira!
Composição: Reynaldo Bessa / Zé Rodrix
Movido apenas por amor vou em frente
E é sempre, apenas, por amor que eu reduzo
Às vezes certo, as vezes meio confuso
Mas sempre forte, sempre, sempre mais quente
Se existe gente a minha volta eu não vejo
Pois o desejo é como um véu que me cobre
E se a distância me revela ser pobre
Mais rico estou quanto mais perto de um beijo.
Por amor,
Eu perco o dia inteiro querendo te ver
Eu como tão depressa e nem sinto prazer
Por amor...
Por amor,
Enfrento a tarde e o cinza do céu
Eu passo as noites chorando num quarto de hotel
Por amor...
quarta-feira, agosto 19, 2009
terça-feira, agosto 18, 2009
Woodstock 40 anos depois – uma análise fria e comercial
| Festival pregava o espírito de liberdade e o modo "hippie" de ser |
Clientes da Coca-Cola
Os que fugimos da escola
Voltamos todos pra casa."
(Trecho de Lira dos 20 Anos, de Belchior / Francisco Casaverde)
Na semana em que se comemora os 40 anos de Woodstock, parece não haver muito barulho sobre aquele que ainda é considerado o maior festival de música de todos os tempos.
O ano era 1969 e dizem aqueles que viveram o espírito da “Era de Aquarius” então apregoado na época, que o evento chegou a reunir mais de um milhão de jovens em três dias de muito sexo, drogas e rock´n´roll.
Quatro décadas após o festival, que rolou entre os dias 15 e 18 de agosto, em uma fazenda perto de Nova York (EUA), é possível traçar paralelos com o cotidiano urbano do século XXI e, principalmente, analisar as consequências provocadas por um grupo de jovens que queria se divertir em paz e, acima de tudo, clamava por liberdade.
Embora eu definitivamente não tenha pertencido àquela geração e ainda esteja na casa dos 30, já li reportagens e assisti a documentários sobre o assunto, e respeito a opinião de críticos que vivenciaram a época - como é o caso do jornalista e produtor Nelson Motta.
| Joe Cocker |
Apesar disso, ele acredita que muitas heranças tenham sido deixadas. Fazendo um resumo clássico, Motta diz que os idealizadores do festival eram, no fundo, “um bando de doidões sem recursos, sem gravadoras e sem patrocínios”.
Na avaliação deles, esses doidões produziram um mega evento, que entrou para a história e se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. Muitos deles morreram, transformando-se no que chamou em “monumentos do rock” - Jimi Hendrix e Janis Joplin são dois exemplos lógicos disso, já que deixaram um legado musical incrível, construído em muito pouco tempo.
Joe Cocker, Neil Young e Carlos Santana são apontados por Motta como os ícones de Woodstock que continuam na ativa, levando sua música não só aos filhos, como aos netos daqueles “doidões” que assistiram ao festival.
Concordando com o que Nelson Motta diz, vou um pouco mais além e posso constatar que esses artistas a quem ele se refere não só continuam na ativa, como vira e mexe aparecem para promover turnês milionárias.
Às vezes também costumam se engajar em movimentos sociais, mas que não tiveram a importância como o da contracultura, apregoado à época de Woodstock.
| Carlos Santana |
A exemplo do poeta Bob Dylan – que fazia a cabeça da galera jovem na época, mas não participou do festival – Neil Young parece continuar acreditando em sonhos.
E sonhos são importantes para que o ser humano se mantenha de pé, focado, lutando e acreditando na vida e em seus desdobramentos.
| Young continua levantando a bandeira do rock engajado |
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